* Ilustração em breve.
O anjinho
* Ilustração em breve.
Postado por Ju Blasina às 5:02 PM 4 comentários
BRUMAS NEGRAS I

Curte ler terror?
Contos, poemas, entrevistas, quadrinhos e muito mais!Tudo com o bom e velho terror.
Confira então nosso primeiro número:
Postado por Carol às 2:43 PM 4 comentários
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Lançamento Almanaque Gótico 2
Postado por Carol às 8:43 PM 0 comentários
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Cicatriz
Por toda a minha vida, fui um profundo cético. Desde alguns eventos desagradáveis ainda na tenra infância, tenho me apegado a um pragmatismo quase fanático, talvez como uma forma de defesa contra coisas que me abalariam a sanidade se realmente fossem reais. Talvez isso me torne o ser humano mais vazio ou hipócrita que a grande maioria das pessoas poderia conhecer, mas elas jamais entenderiam minhas motivações mais fundamentais. Quando se tem uma ferida enterrada em sua alma, é natural que se tente isolá-la de todas as formas, jamais se aproximando dela o mínimo que seja, tanto em intenções quanto em pensamentos. Entretanto, para alguns, essa ferida torna-se uma eterna chaga, sempre a verter agonia escarlate, criando o jardim perfeito para que floresça a loucura. Para estes, nos quais me incluo, restam apenas os caminhos da decadência ou o eterno combate a fim de suturar tal ulceração. Nesta batalha interior, tomei como armas o raciocínio lógico e meu mencionado ceticismo fanático, os salvadores de minha tênue sanidade.
Desde a juventude, dediquei todos os meus esforços a fim de obter um sólido conhecimento acadêmico, através do qual provaria irreais todo tipo tal de fantasia paranormal, comprovando, sobretudo a mim mesmo, o quão tolo era meu sofrimento pessoal. E assim, por anos, tentei enganar-me. Fui insensível para com minha própria pessoa, tentando enterrar-me sob camadas de retórica aplicada e estudo avançado. Quanto mais longe eu ia, mais difícil me era conseguir olhar para o início de toda aquela trajetória. Aos poucos, acabei por quase convencer-me de que minha macabra experiência não passara de um fruto de minha febril imaginação infantil, tal era meu grau de rejeição e racionalização. Mal suspeitava que esta era apenas a semente de um mal muito maior, regada pelo meu auto-infligido martírio interior até seu desabrochar.
Meus antigos terrores se utilizaram dos insondáveis portões do mundo onírico para retornarem, vestidos em noite escura. Abateram-se sobre minha doce amada, maculando seus frágeis sonhos, tal era seu grau de sordidez. Quando ela acordou, aos gritos mais estridentes, um antigo medo cravou-se em meu peito, talvez fruto de minhas memórias quase inconscientes. Tão paralisante era seu choque que ela nenhuma palavra de explicação pôde me dirigir, limitando-se a fitar com olhos sem foco algum canto escuro qualquer, trêmula. Apenas quando já se findava a hora mais fria da madrugada que esboçou alguma reação, embora eu tivesse por preferência que ela se mantivesse da mesma forma até o fim de seus dias a tê-lo feito. Com o sangue a congelar nas veias, ouvi de seus lábios os mesmos dizeres que os meus já haviam, há tanto anos, proferido: “Não desejo conhecer verdade alguma. Deixem-me em paz.” Dito isso, jogou-se a um intenso pranto desesperado.
Oh, quantos dias febris se seguiram depois. Minha amada era visitada sempre que as trevas se abatiam sobre o céu, não havendo nem mesmo a necessidade que conciliasse o sono. Segundo seus relatos, eles sempre lhe revelavam coisas terríveis, instruindo-a com sua catequese profana. Procurei, através de todos os meios que me eram acessíveis, uma resposta para aqueles acontecimentos tão repentinos, que insistia em chamar de surtos psicóticos, mesmo não havendo razão nenhuma aparente para que eles surgissem. Despendi toda minha pequena fortuna em médicos e especialistas, obtendo sempre a mesma falta de resultados.
A capacidade de repousar tranquilamente tornou-se inatingível, pois meus pensamentos convergiam sempre para minha nobre amada e sua situação deplorável, atormentada por criaturas além da compreensão. Minha antiga cicatriz voltava a afligir-me, corroendo-me novamente a razão. Mesmo que meu interior gritasse a verdade, negava-me em aceitá-la terminantemente. Meu orgulho de homem da lógica fora ferido, sobretudo por se tratar de algo tão próximo, tão íntimo, mas ao mesmo tempo tão distante de toda explicação humana. Ah, que torturante me era contemplar os olhos encovados de minha mulher, privada de toda paz de espírito, bombardeada por segredos tão escusos que ela não ousava sequer sussurrá-los sob o véu da inominada escuridão.
O arrastar do tempo, junto com a falta de respostas, fazia-me delirar. Cada novo grito de terror me era uma nova facada no coração. E como meu interior já sangrava! Começava a me sentir pesaroso, pois sabia que todo aquele tormento era destinado e originado por mim. Aos poucos, meu amor por minha noiva foi transformando-se em culpa, e eu já sofria mais que a própria, mergulhado em meus terrores pessoais. Aquilo era tão absurdo e insuportável que parecia simplesmente não ser real. De fato, comecei a desejar que realmente não o fosse, e esse desejo acabou por motivar o pior de meus pecados.
Com lágrimas nos olhos, disparei sete vezes contra minha pobre amada, dando por certo que livrava a nós dois de um peso terrível. Seu sangue rubro manchava os alvos lençóis que lhe serviram de manto de morte, assim como a loucura grassava por minha psique em cheque. Agora, não haveria nada mais que a culpa para desafiar minha razão, e rogo para que eles permitam que assim seja, pois nenhum homem suporta ter seus pilares destruídos de forma tão súbita e sem piedade.
Postado por P Henrique às 6:12 PM 0 comentários
Óbolos a Alice
O início de toda essa espiral decadente de insanidade e horror deu-se pelos últimos idos de novembro, em meio a tardes frias e com neve no horizonte. Seria talvez o segundo ou terceiro caso apenas naquela quinzena, o que começava a perturbar-me, mesmo sendo eu um investigador de vasta vivência. Uma espécie de onda suicida tomara conta de meu distrito, culminando em mortes cada vez mais anormais. O último pobre-diabo fora um rapaz ainda jovem, embora de compleição algo funesta e digna de pena, encontrado após uma brusca queda com um sorriso tétrico no rosto, cuja sordidez fora acentuada pelos efeitos do impacto contra o solo. Aparentava ter partido abraçado em desespero, esculpindo para todo o sempre um grito em sua expressão cadavérica.
Acreditando haver mais que infortuna coincidência entre todos esses casos de falecimento, lancei-me em investigações a fim de satisfazer minha desconfiança. Minha intuição parecia sussurrar-me que havia algo de macabro por trás das tecituras da Dama do Destino, e mal delirava eu o quão amarga me seria a certeza dessa suspeita.
Valendo-me de uma sorte quase sobrenatural, por fim descobri onde residia o último dos suicidas. Fora há alguns séculos, sem dúvida, um requintado solar de grandes senhores do campo, ligados pela ancestralidade até o rapaz que me motivava a investigação, agora engolfado pelo irrefreável crescimento urbano. Entretanto, a construção possuía um aspecto que indicava abandono, além de um quê soturno, dado sua semelhança com o medievo estilo arquitetônico gótico combinada com sua imperturbável imensidão. Uma vez lá dentro, parecia sentir o peso do silêncio sobre mim, como se eras passadas e vidas pregressas ainda resguardassem aquele local. Olhos feitos do mais absoluto nada me vigiavam e um calafrio corria-me pela pele constantemente. Meus passos entrecortavam minha respiração e ecoavam dentro da minha paranóia, que de tão acentuada feria o meu orgulho de homem cético. Entretanto, não há homem sobre essa Terra capaz de suportar totalmente a diabólica pressão que aquele casarão exerce sobre a sanidade.
Após esquadrinhar por um longo período de tempo, encontrei uma biblioteca de grandes proporções, mesmo para nosso período vitoriano, que parecia ser o cômodo do solar mais freqüentado nos últimos tempos. Ali quedei-me por dilatadas horas, examinando volumes intrigantes que pareciam ter sido grafados a mão e se espalhavam por todas as prateleiras. Oh, e que lúgubres histórias contavam! Relatos que culminavam todos em uma morte solitária, vidas que terminavam sem nenhuma menção honrosa além de livros empoeirados e esquecidos. E que terror senti ao notar-me, quando minha consciência finalmente deu-se conta plenamente da situação em que encontrava, cercado por um obscuro museu de epitáfios, tão isolado do mundo e de tudo que era vivo.
O documento de data mais recente consistia num diário encapado em couro, também grafado a mão com nanquim cor de obsidiana, que de certo narrava os últimos suspiros do jovem senhor suicida. Através daquelas páginas cheias de peso e melancolia, constatei que seu autor parecia sofrer de algum distúrbio de ordem mental, talvez algum caso de esquizofrenia ou algo semelhante, além de estar caído em encantos por uma donzela de nome Alice. Sentindo que não mais deveria violar aquele depósito de memórias, abandonei-o da mesma forma que o encontrei, deixando que o destino cuidasse do mesmo.
Entretanto, os dias que se seguiram me viram tomado por uma espécie de curiosidade mórbida, um certo fascínio pela morte que parecia haver desperto em mim as obras contidas naquele casarão esquecido pelo mundo. Vozes lamuriosas assombravam meus sonhos, talvez provindas dos mais abissais recessos de minha mente ou dos frios rincões do reino de Hades. Perguntas ressonavam junto a pedidos desesperados de autores desconhecidos, um balé destoante que corroia-me a psique. A mácula do além-túmulo deitara-se sobre minha face, fazendo-me ouvir seu réquiem sussurrante com notas cada vez mais claras. Não restava-me mais nada a fazer além de atender ao chamado, uma idéia tão absurda quanto bizarra. Oh, como eu já estava avançado na espiral da insanidade!
Mais uma vez, lancei-me aos tomos empoeirados do solar do suicida, lendo-os com uma voracidade selvagem. Era tênue a barreira que separava-me de tocar as faces lívidas dos pobres angustiados que deram origem àquelas histórias. Sentia-os ao meu redor, dizendo coisas que ouvidos sãos e vivos não deveriam escutar. Meu ceticismo de homem iluminado fora esmigalhado sob botas de ferro, e a insegurança derivada de tal perda me apavorava e enlouquecia. E assim, como um animal acuado rilhando os dentes, descobri como encontrar aquela que talvez pudesse trazer alguma luz ao meu caminho soturno.
Mesmo com toda sua poesia, como eram impotentes as linhas que descreviam aquela donzela diante do esplendor real de sua beleza! Era a própria encarnação de Vênus, desenhada em tons mais barrocos. Vestes enlutadas cobriam seu delgado corpo e a Criação parecia se desdobrar sob seus pés. Aparições taciturnas eram suas aias, carregando um vestido de tecido nobre em suas mãos e o aroma da morte em seu encalço. Como era bela e triste a pobre Alice.
E assim, utilizando o dever de minha profissão como apoio, conheci aquela jovem. Por muitas vezes trocamos palavras, embora ela pouco se dispusesse a falar. Olhos do além vigiavam-na como possível, mesmo impotentes, e assim seguia o seu sofrer. Dentro dos meus limites de cavalheiro e humano, criei laços com a jovem Alice, servindo-a como um confessor e protetor, conforme ela se tornava mais aberta para comigo, o que demandou uma dose razoável de tempo e paciência. Pude aos poucos começar a mensurar a razão dos suicídios de alguns dos envolvidas com ela. De certo, seus fins foram apenas a culminância de uma longa e debilitante tragédia pessoal, abastecida pelos encantos letais daquela dama dos mortos. Mesmo ciente de tais conclusões, entretanto, quase vi-me trilhar o mesmo caminho que tais pobres desafortunados.
Em certa noite de lua nova, através de um telegrama borrado por lágrimas, Alice segredava-me uma agonia lacerante, implorando-me ajuda. Fui o mais rápido que pude até sua moradia, encontrando-a envolta por espectros que uivavam dor e loucura. A morte a clamava, e ela pranteava em retorno, incapaz de tirar a própria vida, mas desejosa de enveredar-se pelo Aqueronte. Ela implorava-me que a ajudasse a partir, ou morreria afogada em desespero. Como foram longos aqueles instantes de decisão.
Quando Caronte já se aproximava em sua barca, a idéia mais macabra surgiu em minha mente, que apesar de tal qualidade era paradoxalmente dotada de gênio e esperança. Implorei ao mítico barqueiro que levasse Alice, através de águas sombrias e turvas, até junto de seus amados, no reino dos que já se foram, mesmo sem ter transposto o limiar da morte. Ofereci-lhe o pagamento costumeiro, pagando os dois óbolos por Alice. Não sei se ele apiedou-se do estado deplorável ao qual eu me sujeitava em nome daquele pedido, que era motivado pelo mais altivo dos sentimentos e consciência de que era o certo a ser feito, ou se era por outro motivo impossível de ser concebido por um pobre mortal, mas aceitou realizá-lo após breve reflexão.
E assim, Alice partiu para os braços de quem amava, embora eu estivesse impossibilitado de vê-la ir-se embora. Para sempre o mundo da luz me foi negado, mas ao menos a morte não mais caminharia junto a uma dama no nosso mundo dos breves, arrastando almas torturadas para seus domínios obscuros através dela. Meu trabalho estava concluído.
Postado por P Henrique às 6:45 PM 2 comentários
O Dom do Corvo
O que posso dizer de mais concreto a respeito de meu dom macabro é que ele certamente é capaz de abalar a sanidade de qualquer pessoa. Muitos talvez abandonar-se-iam ao mais puro desespero, tecendo prantos de prata intermináveis enquanto degustam amargamente seu niilismo particular na mais suja das sarjetas, enquanto outros se dedicariam a aliviar o sofrimento daqueles prestes a partir da melhor forma que lhes fosse possível, mesmo sem revelar a cruel verdade contida em seu olhar. Considero tais extremos uma inteira tolice, e certamente não faço as vezes nem de miserável nem de trágico herói. Mesmo um homem com o mais precioso dos poderes continua sendo um homem, e não seria diferente em meu caso. Não acredito na caridade pura de intenção nem na total falta de esperança, sobretudo por já ter presenciado pessoas que deram cabo dos atos mais nobres de suas vidas pouco antes de seu ocaso.
Minha sina é contemplar todas as facetas da morte, das mais benevolentes às mais trágicas. Muitos enfermos a esperam de braços abertos, enquanto outras pessoas deixam cicatrizes no mundo com sua ausência. Depois desses anos todos, sinto o soprar da destruição sussurrar-me no ouvido e guiar-me até onde tocará mais uma alma com seus dedos gélidos e esquálidos, sendo o olhar apenas uma lúgubre confirmação do que meu instinto já previa. Pobres humanos, que não podem sentir as brumas da morte se aproximando! Quanto sonhos não já vi serem ceifados subitamente, sem a menor premeditação por parte de seus idealizadores, enquanto alguns poucos livram-se do pesadelo de suas vidas. Certamente, uma rotina assim tornou-me um homem melancólico e taciturno, um corvo negro em pele de gente. O contato social tornou-se extremamente angustiante para mim, como qualquer um com um mínimo de sensibilidade poderia concluir. Não se pode ver doçura no sorriso de um amigo quando se vê a morte em sua face. É triste e solitária minha sina, digna das mais homéricas tragédias gregas.
Nesse solitário caminho, cujo meio é cheio de fins, carrego o fado que acredito que caiba a mim. Sei que não há nada pior para os falecidos do que o total esquecimento, pois é da lembrança de suas vidas terrenas que eles são feitos, portanto cuido para que nenhuma alma parta no total esquecimento. Aquelas cuja memória não dispõe dos corações de seus entes queridos para descansar tornam-se meus mais exaustivos trabalhos. Uma simples cerimônia fúnebre não seria o suficiente, portanto, empenho-me em criar uma crônica a respeito da pobre vida do recém-falecido. Minha casa tornou uma biblioteca dos condenados, volumes e volumes de histórias com o mesmo fim. Não era esse o destino que eu sonhava em dar para minha veia artística, mas certamente a aquisição de meu peculiar dom mudou todo o prognóstico de minha vida.
Entretanto, o último caso fez-me deparar com algo inédito. Encontrei-a velando o corpo de alguém que lhe era muito querido, certamente uma alma que partira plena de amor e boas lembranças. Seus cabelos eram da cor da noite e seus olhos de esmeralda, sua pele alva e seu rosto delicado e angelical. A epítome da pureza, se é possível existir algo assim. Olhei em seus olhos e vi o tempo escorrer junto com suas lágrimas, cada vez mais perto de seu fim. Fui imediatamente arrebatado por sua beleza e ternura, algo que nunca antes havia me acontecido e que eu julgava impossível, dado meu estado de existência. Passei a acompanhá-la em seu luto, pela primeira vez temendo verdadeiramente pelo fim de alguém.
Os dias passavam-se morosamente, enquanto eu conhecia aquela doce jovem que atendia pelo nome de Alice. Amava-a como se poderia amar a um anjo, uma espécie de admiração temerosa, pois receava macular sua pureza. Invejei secretamente a própria morte, pois poderia tocá-la tão intimamente muito em breve. E assim, nesse meu querer platônico, esperei pelo fim que se aproximava inexoravelmente.
Oh, e que doce surpresa não tive ao descobrir que estava enganado! Salve as ironias amargas da extinção. Mal sabia eu, pobre tolo, que aqueles olhos cristalinos não eram capazes de refletir a mácula da morte, mas apenas a mais terna das compaixões. Eram como um espelho, no qual eu previ inconscientemente meu destino. E fora o por muito negado amor que me levara à morte. Pobre Alice, fadada a derramar amargas lágrimas, pois fora ela que, numa tentativa de suicídio após ler uma carta que nunca mais poderei descobrir do que se trata, selou meu fim. E é nesse segundo infinito, após evitar a queda daquela doce jovem, que toda a minha vida transcorre diante de meus olhos. Já posso até mesmo sentir o além se abrir diante de mim, seu portal de ébano margeado pelo asfalto do solo.
Postado por P Henrique às 3:30 PM 6 comentários
Navalha
Com a lâmina das minhas angustias
Pouco afiada – mal mirada – dor alargada
Vou te cortar diariamente
Lenta e eternamente
Deixo a ti, a porta aberta
Deixo a ti, a chave incerta
Fecho os olhos, pouco alerta
Prendo a inspiração e a respiração
Ainda sinto o cheiro da tua transpiração
Tu não partes
Junta as partes e permanece ali
Preso a mim, presa a ti
Cordeiro do sacrifício
E novamente te toco
Como ferro em brasa
Penetro – faço de ti minha casa
Te mordo, te marco, te sofro, te rasgo
Pouco a pouco apago a vida em ti
O brilho dos teus olhos – opaco
O grito dos teus lábios – já fraco
E tudo o que resta – um naco
Daquilo que um dia sorriu em ti
Vou de cortar lentamente
Em muitas partes, em muitos ramos
E se te corto é porque te amo
E só me alimento de ti
Vou de cortar lentamente...
Postado por Ju Blasina às 4:46 PM 8 comentários
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