segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

A Fábula dos Pesadelos

Johann Heinrich Füssli
" Pesadelo
"

"Once I had a dream
And this is it"

(Nightwish - Dark chest of wonders in "Once")



Er' uma vez queda final em tristes relvas
Gente comendo carne e vomitando trevas
Expectros tão doentes de temáticas falhas
Com' uma modona triste, das vis batalhas

Er' uma vez medo preso e proibido ruir
Bestas são portais de o Quimérico fluir
Medo escabroso palpitando fundo o peito
Fio de prata que avista o mortal em seu leito

Er' uma vez Quiméras tão horrendas, tão alegóricas
Sonhar de dias ruins, de obras categóricas
Er' uma vez um Amor tão próximo, tão esgotado

Ao que se soltam os dedos, quão arrebatado
Er' uma vez o amanhecer mau que não reluz
Tempestuoso Mar das Sombras - nenhuma Luz!

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Batalhas – Segundo Ato

Outra cena.
Outro lugar.
As palavras se propagavam de forma baixa em sinais de preocupação.
Ponderações feitas.
Prós e contras discutidos.
Então eles entram.
Quatro pontos cardeais.
Quatro elementos representados.
Mas a terra não tinha seu representante legítimo e a discórdia fora disseminada.
Conversas tornam-se brados.
Brados tornam-se ergueres de armas.
Dedos acusatórios erigidos.
Explosões que se sucediam.
E o que antes observava, se expandiu em violência descontrolada.
Descontrole que tomou controle de rédeas puxadas.
Asfixiou sem dó nem compaixão.
Pouco antes de extinção completa e sádica, o afrouxar das rédeas fora constatado.
Quatro ventos em um corpo só.
Quatro que fazem parte de um que já fizera parte de quatro.
Quatro anjos.
Quatro elementos.
Quatro irmãos que se encontram separados.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Batalhas - Primeiro Ato.

Estavam eles, frente a frente.
Os olhares flamejantes de ódio, decepção.
As mentes pensando nos locais que deviam ser atingidos.
Não havia lanças ou espadas.
Sequer cavalarias e batalhões.
Ali a maior arma eram as palavras e uma a uma foram vociferadas.
Acusações que mostravam o ponto de vista.
Ângulos distorcidos de um prisma.
Golpes dados, feridas abertas e as peças se moviam.
Rangeres de dentes, corpo tremendo naquela que iniciara a guerra.
Lágrimas amargas, silêncio aos lábios, pois sabia que aquela batalha estava vencida de forma estranha.
Do outro lado, coração amargurado, um tanto quanto decepcionado, mas em uma pose mais austera.
Quem havia vencido?
Ninguém sabe.
Mas aqueles brados reverberam, tomam formas, ganham garras.
O veneno foi espalhado.
Muitos, atingidos.
E mesmo exausta no campo de batalha, ela suspira e murmura:
- Ainda chegará o dia, mas não hoje, não agora.
O veneno se espalha e apenas no futuro, certos vociferares de cautela, serão relembrados.
Não por ela, mas por quem foi atingido.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

O que é a |Brumas Negras|?

A Zine virtual Brumas Negras tem em vista ser uma publicação periódica de ensaios acerca de temáticas pouco discutidas, além do debate e divulgação de temas relacionados à cultura Dark como contos de terror/horror, vampirologia, demonologia, ufologia e magia, dentre outros. Tudo tende a ser abordado com maior ênfase ao macabro, monstruoso e sublime.

Por ser um projeto diferente de tudo o que já vi até então, observo nele certa tendência à inovação que deverá dar-se através de processos de composição experimentais totalmente livres no enfoque místico e sobrenatural – isto é, o mais sombrio possível.

A idéia é conjunta, entretanto, em ordem particular, surgiu devido ao descontentamento em buscar, mesmo pela internet, temáticas ‘sombrias’ e histórias com teor mais macabro, distante de toda aquela pieguice mediana que todos nós, escritores de terror estamos fadados escrever e a qual encontramos com freqüência, sobretudo na internet. O público Dark é presente, e, me parece, alguma parcela deve sentir a ausência de algo mais sombrio, algo que instigue sensações... leve e sombrio. Existe isso? Claro, tudo que se pensa já foi criado. O fato é que não há divulgação suficiente desse material, creio, por isso, a BN seria um meio de comunicação que abarcaria assuntos de relevância a esse público ávido pelo soturno.

Ad augusta per augusta

O silêncio cai sobre o mundo.
Medo, incerteza, insegurança, tudo cresce à medida que os olhares se voltam para cima.
Uma batida, duas e lamúrias aumentam junto ao desespero.
Não eram tambores que prenunciavam uma guerra.
Mas o bater de milhões de corações compassados em uníssono.
Mãos se fecham ao redor das armas.
E então o rugido...
Silêncio quebrado.
Gritos mesclando aos tinires de espadas, lanças e tantas coisas mais.
Sombras lançadas pelas asas de quatro anjos.
E o mundo mergulha em um mar de sangue e trevas.
Não há mais paz e obediência cega.
Há fúria e ódio, e não resignação completa.
Corpos rasgados, almas dilaceradas, maldições rogadas.
Lágrimas derramadas na mais pura vergonha, enquanto outros seguem seu caminho.
Seu único caminho proferido por aqueles que ainda são cegos.
Ao findar da batalha, perdas imensuráveis.
E tudo que Ele queria era ouvir de seus filhos:
- Fiat voluntas Tua.
Que aqui traduzo da forma que vocês tolos mortais conhecem como:
- Seja feita a Vossa vontade.

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N.E.:
Ad augusta per augusta - Através das dificuldades (augusta) é que se chega aos grandes resultados (augusta): Todos os grandes feitos exigem grandes sacrifícios.

Brumas Negras

Um mundo que gera tanto fascínio quanto temor.