sábado, 11 de setembro de 2010

Noturna









por Black da Silva


BIOGRAFIA

Noturna é uma banda brasileira de Gothic Metal da cidade de Belo Horizonte. Formada em Agosto de 2002 por Vivian Bueno (Vocal), Fábio Bastos (Vocal e Guitarra), Victor Munhoz (Piano e Sintetizadores) e Guilherme Carvalho (baixo) visando mesclar as diversas influências de cada integrante.

Durante algum tempo a banda não tinha um baterista fixo e precisava ensaiar com bateria seqüenciada; enquanto isso, Fabio Bastos se dedicava às composições da banda. Em janeiro de 2003 o baterista Rafael Costa se juntou a banda e começaram então os preparativos para a gravação do Cd demo Symphony of Decadence , e os shows de divulgação.

O álbum foi lançado em agosto de 2003 e obteve uma ótima aceitação de crítica e público, fazendo com que a banda conseguisse excelentes oportunidades com a gravadora Hellion Records, a abertura do Show do Moonspell, em Belo Horizonte, e a aparição no Jornal Hoje da Rede Globo.

O contrato com a Hellion Records foi firmado no final de 2004, e o debut Diablerie lançado pela mesma em Dezembro de 2005.

Em Dezembro de 2006, Fábio Bastos anuncia sua saída da banda. Em entrevista à Metalclube Fábio confessa estar desanimado com o estilo Gothic metal e com bandas com vocais femininos e que esse foi um dos motivos que o levaram a sair da banda.

A banda começa a procurar por um novo guitarrista. Em março de 2007 é anunciado que a banda havia encontrado um novo guitarrista, mas não havia divulgado seu nome. Depois de um mês de mistério, Sérgio Barbieri assume as guitarras e os guturais da banda.

Pouco depois da estréia de Sérgio no Gates of Darkness, Guilherme Carvalho anuncia seu desligamento da banda por motivos pessoais. Nesse período o Noturna estava em fase de composição e começou então a procura por um novo baixista.

No início de 2008 começa a ensaiar com o Noturna, assumindo o baixo e vocais limpos Alan Curátola, mas o nome só é divulgado no show de Eliminatória do Wacken Metal Battle, em BH, em Abril do mesmo ano.

Em Novembro, ainda de 2008, a banda participa da sessão de autógrafos do Nightwish, que aconteceu no Hard Rock Café em Belo Horizonte e surpreende com a ausência de Victor Munhoz nos teclados, sendo apresentada assim a mais nova integrante da banda: Laura Pataro. Após o show, a banda explicou na internet que problemas internos culminaram com a saída de Victor Munhoz.

Atualmente a banda está gravando o seu segundo álbum, no Estúdio WZ, em Belo Horizonte. O disco está sendo produzido por Alan Wallace e André Márcio da banda Eminence, ainda sem data de lançamento.

ANÁLISE DAS MÚSICAS

O cd Diablere é todo muito bom. Dentre as músicas que se destacam mais estão “Tears of Blood” e “Evil Heart”; a segunda se destaca mais porque é a mais bem trabalhada juntando vários tipos de vocais como lírico, gutural, coros e vocal masculino limpo como o de André Mattos. T ambém se destaca a faixa que dá nome ao cd “Diablere” e a segunda música intitulada “Remembrance of Dying”. Na maioria das melodias eles adotam um tom muito agressivo com guitarras bastante distorcidas e vocais guturais “nervosos”, tudo isso com o contraste da voz angelical de Vivian Bueno que consegue acalmar os ânimos. As letras seguem o mesmo clichê das bandas de gothic metal, sendo as temáticas predominantes a solidão e as trevas. No entanto, isso não importa, afinal é um clichê ótimo!

UM POUCO DA HISTÓRIA DOS GÓTICOS

Bom, o termo gótico originariamente GODO, era o nome de uma das tribos germânicas. Com o decorrer dos anos o termo gótico foi usado em várias artes e, até mesmo, na moda; dentre essas artes estão a pintura cujo inicio ocorreu na Itália por volta do séc. XII. Um renomado pintor desse estilo é GIOTTO; uma das características predominantes da pintura gótica era a perspectiva já que os pintores queriam criar espaços que pareciam reais. O termo gótico aparece na arquitetura também por volta do séc. XII, nas catedrais, e se espalhou muito rápido pelo leste europeu trazendo nela inovações em rel
ação ao período medieval. Durante quatro séculos, a arquitetura gótica desenvolveu-se radicalmente; os elementos de arquitetura foram aperfeiçoados, o interior das novas catedrais passou a possuir luminosidade e também a ser exuberantemente altas.

Já na contracultura, o chamado gótico é um estilo de vida. Tal estilo de vida teve maior repercussão nos anos 70, especificamente no Reino Unido. Esse modo de vida abrange desde música, moda específica e filosofia. Na música os termos abordados seguem temáticas como decadência, depressão, escuridão e, muitas vezes, temas religiosos. Os pioneiros da música gótica são o Bauhaus, o Sisters of Mercy e, é claro, o The cure que, além de ser precursor musical criou o visual e o estereótipo do chamado gótico, ou seja, o uso constante de roupa preta e maquiagem pesada. A banda Noturna é um grande exemplo desse tipo de música, pois une todos os “clichês” visuais e musicais góticos tais como roupa preta, maquiagem pesada e muita “obscuridade” nas letras.

Bom, terminando o estilo de vida gótico e passando para o visual deles, bom... Aposto que ao ler isso você logo imaginou uma pessoa vestida de preto e realmente é assim que eles se vestem. A cor Preta como tonalidade predominante acompanhada à uma postura tida como juvenil, é geralmente um arquétipo do mainstream[1]. A cor preta, como representação estética, geralmente é acompanhada de uma, ou mais cores adicionadas de forma peculiar para compor os visuais dentro dos estereótipos variante do Gótico. Como simbolismo, a semântica pode variar de indivíduo para indivíduo, ou estar praticamente ausente, permanecendo como apenas questão de estética.

O gótico na literatura teve início no séc. XVIII, na Inglaterra, especificamente com a publicação do livro O castelo de Otranto de Horace Walpole. Costuma-se destacar, como algumas das principais características desse tipo de literatura, os cenários medievais(castelos, igrejas, florestas, ruínas), os personagens melodramáticos (donzelas, cavaleiros, vilões, os criados ), os temas e símbolos recorrentes (segredos do passado, manuscritos escondidos, profecias, maldições). O romance gótico é uma manifestação essencialmente híbrida, um elo entre o romanesco e o romance no qual uma atmosfera de mistério, aflição e terror prevalece. Os autores góticos investiram na criação de imagens obscuras e representações simbólicas. O medo e o anseio pela morte foram temas centrais nessas narrativas cujos enredos oscilavam entre a realidade verificável e a aceitação de um mundo sobrenatural. Só pra citar alguns autores “góticos” são eles Bram Stoker que fez o aclamado Drácula e Mary Shelley com o seu Frankenstein: ou o moderno Prometeu.

Pode parecer estranho, mas quando as pessoas se referem ao termo gótico pensam em coisas sombrias e escuras, uma contradição com a arquitetura gótica citada.

Comumente ligado à obscuridade, O termo gótico choca conceitualmente com o que as catedrais medievais representaram em termos arquitetônicos. Diferente das catedrais românicas, que eram horizontais e escuras, as catedrais góticas eram longilíneas e claras devido ao uso de vitrais. Não podemos então, ver o termo simplesmente como espelho do que a moda e música dos anos 70/80 nos mostraram. Gótico é mais uma tentativa de entender e se ligar com a natureza superior (a altura das torres), de protestar contra a ordem vigente (o preto significa o luto, a oposição ao caminho que a humanidade está traçando).


[1] Mainstream: “O termo Mainstream inclui tudo que diz respeito à cultura popular, e é disseminado principalmente pelos meios de comunicação em massa. Muitas vezes é também usado como termo pejorativo para algo que "está na moda". O contrário do Mainstream seria chamado de Underground, ou seja, o que não está ao alcance do grande público, sendo restrito a cenas locais ou públicos restritos” (disponível em WWW.pt.wikipedia.org/wiki/Mainstream).


Sítio Oficial: www.noturnaonline.com

Wikipedia: www.pt.wikipedia.org/wiki/Noturna_%28banda%29

Letras: www.letras.terra.com.br/noturna/





terça-feira, 20 de julho de 2010

EXPLORANDO O TERROR


Quando o assunto se trata de Terror, todos logo imaginam os monstros tradicionais. Dentre eles, temos os lobisomens, vampiros e claro, os degenerados zumbis.
Mas por que os tratos como degenerados?
Pelo simples motivo de que todos morrem de medo de que o mundo seja tomado por uma infestação de zumbis e que não haverá escapatória desse mal.
Pior do que cachorro louco, os zumbis são aqueles que quando infectados, ganham uma fome insaciável, desejosa de sangue, carne e miolos.
Os vampiros que são vistos como mortos-vivos, poderiam sofrer desse mal, mas eles possuem lá sua finesse, são charmosos, inteligentes e extremamente sedutores, ao contrário dos nossos amigos citados, que logo entram em decomposição, são movidos por um instinto estomacal, deixam de pensar e são ótimos para espantar todos que aparecem no caminho.
Podem falar o que quiser, mas tais monstros não me aprazem e toda vez que dou uma chance mínima para ver se algum zumbi mostra que eles não são seres patéticos, os roteiristas fazem questão de provar o quão bom é manter a rotina deles.
Muitas vezes, se nos atentarmos, a infestação de zumbis, não é bem explicada. De repente a cidade é tomada e isolada pelo exército. É um deus nos acuda, para quem ficar na área infectada e claro, como é de praxe, pessoas que nunca mexeram com armas ou sequer lutaram na vida, transformam-se em heróis e heroínas que conseguem escapar do ataque de vários zumbis. Afinal, como tais seres perdem a massa cinzenta, o ataque grupal não é organizado tal qual um enxame de abelhas, ou animais predadores que desejam realmente suas presas.
São desajeitados na maioria das vezes, tornam-se lentos, bobos, incapazes de manter as habilidades que antes possuíam.
Então na maior parte das vezes, basta pegar um carro e brincar de bate-bate. Pegar um cabo de madeira e brincar de bete. O único cuidado que se deve ter é não deixar que eles te cerquem e que te mordam. Apenas isso.
Agora se por ventura pensarem em múmias, elas possuem meu respeito, porque elas ao menos ainda mantém a inteligência e são capazes de maldições horrorosas, que por sinal são mais bonitas de se ver, do que apenas um quase passar de raiva e ignorância com uma simples mordida.
Bom... Você deve estar se perguntando por que falei tanto dos zumbis e o motivo é que li uma revista chamada XXXombies. A HQ é uma mescla de pornografia leve com zumbis. Resultado? Por que eu ainda dou chance para esses monstros degenerados? Eles não fogem da regra, é sempre a mesma coisa, não adianta! Afinal? Onde é que as pessoas acham graça nos tais dos zumbis?

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Insipidez sagrada Insipidez


"Morre e transmuta-te": enquanto

Não cumpres esse destino,

És sobre a terra sombria

Qual sombrio peregrino.

(Goethe)

Lembro perfeitamente daquele odor acre que perseguia o meu pensamento enquanto subia as escadas do prédio de Helena. Todos os recursos imagináveis para impedir que o cheiro penetrasse minhas narinas eram inúteis: havia dezessete gatos vivendo no apartamento de Helena, e todos os excrementos resultantes se avolumavam pelos cantos do meu penoso trajeto. Sim, penoso, mas havia um por que, uma razão aguda para estar inserida naquela árdua batalha...

Primeiro cabe explicar quem é Helena. Garota sem sal ou açúcar, que passa pela sua vida sem ser percebida. A não ser que você a conheça por acaso e descubra a ninhada que tem em casa - Isso interessa, muito. Depois que descobri isso, me aproximei dela até conseguir sua confiança. Quanto ao dia que recordo, foi a primeira vez que ela me convidou para tomar chá em sua casa. Aceitei, é claro. E subindo as escadas, hesitei pensando se valia mesmo a pena.

Logo cheguei fronte à placa metálica 402. No tapete puído “Welcome” havia pequenas montanhas de fezes. Suspirei, olhei para o alto e toquei a campainha. Helena abriu logo a porta, com seu sorriso onipresente cujo aroma era um misto de felicidade e menta. Incrível como nunca a tinha visto triste em seis anos convivendo na mesma sala de aula. Bem, ela podia ser jovem, mas não era tola, por isso, ainda me pergunto se oferecer-me um chá não fora uma maneira de descobrir o que se passava comigo.

Helena me convidou para entrar, desviei do tapete e entrei na sala. Os móveis eram muito velhos e deteriorados e gatos pareciam saltar de todos os cantos cercando o ambiente com aqueles olhares amarelos, ameaçadores. De alguma forma eles queriam me informar de que “sabiam”. Tentando disfarçar a minha perturbação, segui a garota sem olhar para os animais. Chegamos à cozinha, pequena e sem ventilação. Ela pegou os biscoitos e colocou sobre a mesinha, encheu o bule de água e pôs sobre o fogão. “Sente-se” ela sugeriu, sendo que eu – tamanho o nervosismo - fiquei de pé, os olhos arregalados e a garganta seca. Sorri pra ela, sentei e fiquei olhando o modo como ela fazia chá.

Depois disso, sucederam-se momentos de conversa em que ela fazia perguntas frívolas e eu simplesmente respondia, tentando lidar com aquele mal estar. Daí os gatos entraram sorrateiramente pela porta atrás de mim. Eram exatamente três. Cada um roçava nas minhas pernas, de modo que senti meus músculos se contraírem num só impulso. Não, eu não podia gritar; no máximo, podia fazer careta enquanto Helena estava de costas. Quando ela percebeu o que se passava, levou os gatos para a sala. Pra mim foi até pior ter que ficar só naquele cubículo assustador, sabendo previamente que algum naqueles monstrengos apareceria para atormentar-me cedo ou tarde. “Vamos, pense na sua força, abra a sua mochila e pegue o instrumento.” Ordenei-me. O gato sabia de tudo e reagiu com tranqüilidade até o instante em que apontei o martelo pra ele. Daí a reação foi assombrosa! Com os pêlos arrepiados o bicho se elevou: o rabo grosso os olhos de pura fenda. Gelei, meus ossos eram estruturas de gelo, meu sangue era sólido, meu rosto era, apenas, meus olhos.

O felino odioso saltou em minha direção prestes a ferir-me com suas unhas iradas. Não pensei duas vezes e fiz um longo movimento de arquear o corpo para o lado direito, impulsionando a ferramenta e levando a ponta de encontro à cabeça do gatuno. “Bastet [1]não me veja!”. Aquela maça de carne voou na parede de azulejos coloniais e fez um traço vermelho até cair no chão. Houve um miado final, grotesco e ronronante como o som de um balão esvaziado.

Alívio. Fiquei ali sentindo minha respiração ofegante, admirando a minha vitória, o merecido prêmio... Quando caí em mim, percebi que algo faltava: “Onde estava Helena? Tentei sondar o que ocorria no ambiente e escutei um lamento próximo. Este choro de alguém, no quarto ao lado, era róseo, e cheirava a açúcar. Achei melhor não me envolver e esperar a guria aparecer. Seria deveras mal educado sair sem se despedir.

Limpei a parede, recolhi aquela coisa peluda sangrenta e joguei numa sacola plástica dentro da mochila. Passado todo o terror, pensei friamente que os dezesseis gatos sabiam que não era para tentar combate.

Enchi mais uma xícara de chá de camomila e esperei tranquilamente o retorno da minha amiga, sabendo que essa noite, certamente, mamãe jantaria.


[1] Deusa egípcia antropozoomórfica com cabeça de gato e corpo de mulher, símbolo do amor e da procriação.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Prazer


Autor: Pollok


Capaz de sorrir visualizando atitudes vis... como queria ter vivido naquela abundante época das torturas. E desejava isso em sua essência: dor e morte, em suas mãos, alimentando seus olhos, saciando seu corpo, liberando toda aquela libido reprimida; tudo de uma só vez e bem rápido.

Sussurros vindos do porão. Interrompeu-se e foi até lá. Deteve-se por alguns segundos tocando a fechadura. Entrou e logo foi surpreendido por uma vala recém aberta, vazia. Logo aquela que –tinha certeza- havia tapado. Pois bem, o que quer que seja não hesitou em crava-lhe a pá nas costas e jogá-lo pesadamente na vala cavada para abrigar outrem.






Brumas Negras

Um mundo que gera tanto fascínio quanto temor.